Filme delicado retrata o retorno de um jovem gay à sua vila na Índia, enfrentando tradições e descobertas afetivas
Em meio às paisagens áridas e tradições ancestrais da Índia rural, Cactus Pears surge como um relato sensível e profundo sobre amor, perda e a busca por pertencimento. O filme acompanha Anand, um jovem que retorna da agitada Mumbai para cuidar da mãe após a morte do pai e cumprir os rituais funerários tradicionais da vila. Esse retorno traz à tona tensões internas e sociais, principalmente em relação à sua orientação sexual, revelada apenas ao pai antes de sua morte.
Dirigido por Rohan Parashuram Kanawade, o longa é um mergulho poético na vida cotidiana de uma comunidade que está entre manter costumes antigos e se confrontar com as mudanças do mundo moderno. Anand, interpretado com delicadeza por Bhushaan Manoj, vive a difícil jornada de ser aceito como homem gay dentro de uma cultura conservadora, ao mesmo tempo em que tenta proteger sua mãe Suman, papel da comovente Jaysri Jagtap, das pressões e julgamentos externos.
Entre tradições e descobertas afetivas
A narrativa se desdobra com sutileza ao apresentar Balya, amigo de infância de Anand, vivido por Suraaj Suman, que segue preso às expectativas de casamento e à vida simples na vila. A conexão entre os dois homens cresce de forma natural e discreta, mostrando um romance queer que foge de clichês e se revela em pequenos gestos, olhares e momentos compartilhados longe dos holofotes.
O filme não aposta em grandes dramas ou cenas grandiosas, mas sim na força do silêncio e da contemplação. Elementos do cenário – como um lago poluído ou templos desgastados pela urbanização – funcionam como metáforas para as transformações internas dos personagens e da comunidade ao redor. A rotina dos rituais funerários ganha um significado especial, simbolizando o respeito às raízes e o processo de aceitação pessoal em meio à dor.
Representatividade e acolhimento na tela
Cactus Pears é uma obra que fala diretamente com o público LGBTQIA+, especialmente aqueles que já vivenciaram o desafio de conciliar identidade e tradição familiar. A trama traz à tona a complexidade dos afetos queer em ambientes conservadores, destacando o amor materno como um pilar fundamental para a coragem de ser autêntico.
A direção de Kanawade revela um olhar sensível e respeitoso, que evita estereótipos e celebra as nuances da vida rural e queer. As atuações são marcantes: Jaysri Jagtap encarna uma mãe protetora e amorosa, Bhushaan Manoj transmite a vulnerabilidade e força de Anand, enquanto Suraaj Suman traz calor e sinceridade em seu papel.
Ao finalizar sua jornada e embarcar de volta para a cidade, Anand carrega consigo as marcas do lar, do amor e da memória, fortalecendo sua identidade e abrindo caminho para novas possibilidades. Cactus Pears é uma ode à diversidade de amores e à coragem de se reinventar sem esquecer de onde se vem.
Este filme comovente estreia no Queer Screen, em Sydney, Austrália, convidando o público a refletir sobre o poder da aceitação, do pertencimento e da transformação interior, em um mundo onde a tradição e a modernidade se entrelaçam de forma delicada e urgente.
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