Fundadora do icônico Jewel’s Catch One, ela criou um espaço seguro e acolhedor para as comunidades LGBTQIA+ negras e periféricas em Los Angeles
Jewel Thais-Williams, uma verdadeira lenda da comunidade LGBTQIA+ e ativista incansável na luta contra o HIV/AIDS, faleceu aos 86 anos no dia 7 de julho de 2025. Formada pela UCLA, ela foi a mente e o coração por trás do Jewel’s Catch One, o primeiro clube noturno em Los Angeles dedicado especialmente às pessoas negras e outras minorias LGBTQIA+.
Um espaço sagrado para a diversidade
Inaugurado em 1973 na West Pico Boulevard, o Jewel’s Catch One não era apenas uma boate – era um verdadeiro refúgio, uma casa para quem muitas vezes era invisibilizado pela sociedade e marginalizado até dentro da própria comunidade LGBTQIA+. Como descreveu Donald Kilhefner, amigo próximo de Jewel por mais de 40 anos, o clube foi criado para ser “um espaço sagrado” para pessoas negras, pardas e outras minorias, que encontravam ali diversão, acolhimento e pertencimento.
O impacto cultural do Catch One foi imenso. O clube recebeu estrelas icônicas de Hollywood como Madonna, Donna Summer e Lady Gaga, tornando-se uma referência nacional e internacional. Além disso, o espaço se transformou em um verdadeiro centro comunitário, acolhendo grupos de apoio para recuperação de dependentes químicos e oferecendo um lugar seguro para conexões e resistência, especialmente durante a dura época da crise da AIDS.
Ativismo e legado na luta contra o HIV/AIDS
Jewel não se limitou à vida noturna. Ela transformou o prédio ao lado do clube no Village Health Foundation, um centro médico que oferecia tratamentos alternativos e complementares, como acupuntura e fitoterapia, áreas nas quais ela se especializou. Este centro foi fundamental durante a pandemia de AIDS, promovendo eventos para arrecadação de fundos e apoio às pessoas afetadas.
Além disso, Jewel atuou como membro do conselho da AIDS Project Los Angeles (APLA), uma das principais organizações de defesa dos direitos das pessoas com HIV/AIDS. Ela também cofundou o Minority AIDS Project, focado em ampliar o acesso a tratamentos para comunidades negras e pardas. Em 1989, junto com sua parceira, criou o Rue’s House, para apoiar mulheres soropositivas com filhos, garantindo que elas permanecessem próximas às suas famílias.
Resistência e inspiração para gerações
Apesar do sucesso e da importância do Catch One, Jewel enfrentou resistência e ameaças, especialmente nos anos 1980, quando o clube foi alvo de intimidações policiais e até de um incêndio suspeito que quase destruiu o local. Mesmo assim, seu compromisso com a comunidade jamais esmoreceu.
Após vender o clube em 2015, o novo proprietário preservou a placa original e inaugurou um mural em homenagem ao impacto de Jewel, que passou a dedicar seu tempo a orientar jovens LGBTQIA+, ajudando-os a encontrar recursos e apoio.
Jewel Thais-Williams sempre acreditou que nasceu com um “suitcase cheio de presentes” de seus ancestrais, missão que cumpriu com amor e generosidade para toda a comunidade. Ela foi uma voz forte contra a injustiça, um símbolo de inclusão e uma heroína invisível para muitas pessoas negras, LGBTQIA+ e periféricas.
Hoje, seu legado permanece vivo, inspirando quem busca criar espaços seguros e cheios de afeto para todas as identidades e expressões. O Jewel’s Catch One foi muito mais que um clube: foi, e sempre será, um símbolo de resistência, amor e representatividade.
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