in

Corps fantômes resgata a história queer turbulenta de Montreal

Peça teatral revive os anos 1990 de luta e resistência LGBTQIA+ em Montreal, Canadá
Corps fantômes resgata a história queer turbulenta de Montreal

Peça teatral revive os anos 1990 de luta e resistência LGBTQIA+ em Montreal, Canadá

Nos anos 1990, Montreal, Canadá, viveu um período intenso e doloroso para a comunidade LGBTQIA+. Marcada pela crise da AIDS, pela violência policial e por uma série de crimes motivados por preconceito, essa época de resistência e luta é o foco da peça Corps fantômes, que está em cartaz no Théâtre Duceppe até 22 de novembro de 2025.

A obra mistura personagens ficcionais com figuras reais que foram protagonistas do ativismo queer local, como Roger Le Clerc, Michael Hendricks e Claudine Metcalfe. Esses ativistas enfrentaram, entre outros desafios, a morte brutal do jovem Joe Rose, assassinado em 1989 por homofobia, e a repressão violenta da festa Sex Garage em 1990 — evento que se tornou o símbolo de um momento histórico semelhante ao Stonewall de Nova York.

Raízes da resistência queer

O assassinato de Joe Rose e a repressão policial ao espaço seguro Sex Garage mobilizaram a comunidade LGBTQIA+ de Montreal a se unir em protestos e ações diretas. Esses episódios deram origem a uma militância renovada, que buscava tanto visibilidade como respeito e direitos civis, apesar do cenário hostil e do medo constante.

“Joe se tornou um símbolo para recuperar nossos direitos e acender uma nova militância,” relembra Roger Le Clerc, um dos ativistas retratados na peça.

Um espetáculo para lembrar e educar

Dirigida por Maxime Carbonneau, Corps fantômes foi criada com base em quatro anos de pesquisa, entrevistas e imersão nos arquivos da época. O espetáculo não apenas homenageia aqueles que lutaram na linha de frente, mas também busca conectar gerações, trazendo à tona histórias pouco conhecidas mesmo dentro da comunidade.

A peça valoriza a diversidade linguística e cultural de Montreal, mostrando que a luta LGBTQIA+ foi um movimento conjunto de francófonos, anglófonos e alófonos, unidos por um desejo comum de sobrevivência e dignidade. Para o diretor, é fundamental que a sociedade em geral reconheça que essa história também faz parte da identidade coletiva de Quebec.

Legado e importância para hoje

Ao reviver esse capítulo turbulento, Corps fantômes oferece um poderoso lembrete de que os direitos conquistados são fruto de batalhas árduas e que o avanço conquistado pode retroceder se a vigilância e a união cessarem. O espetáculo reforça a necessidade de solidariedade, tanto dentro da comunidade LGBTQIA+ quanto com aliados, para continuar enfrentando o conservadorismo crescente no mundo.

A produção também destaca a importância de preservar a memória queer, homenageando figuras como Joe Rose, que hoje têm prêmios e placas comemorativas em instituições educacionais de Montreal, para que as novas gerações conheçam suas raízes e se inspirem na coragem daqueles que vieram antes.

Informações sobre o espetáculo

Corps fantômes está em cartaz no Théâtre Duceppe até 22 de novembro de 2025, com duração de 3h30, incluindo intervalo. Pela primeira vez, há apresentações com legendas em inglês nos dias 7 e 8 de novembro, ampliando o acesso para públicos diversos. A peça é uma celebração da história queer de Montreal, uma história de dor, resistência e, acima de tudo, esperança.

Que tal um namorado ou um encontro quente?

Ícone 2-Spirit e defensor da comunidade LGBTQIA+ indígena será celebrado em Winnipeg, Canadá

Elder Albert McLeod será homenageado no Jogo do Orgulho dos Jets

Após 28 anos, SBT anuncia cobertura histórica da Copa do Mundo 2026 com narradores icônicos e projeto multiplataforma

SBT volta a transmitir Copa do Mundo com Galvão Bueno e Tiago Leifert